dias contados

5. Heróis e heroínas

5. Heróis e heroínas

«A navegação marítima tem tanto de científica como de adivinhação». Este foi o meu desabafo ao avistarmos as luzes de Vila do Porto e, de imediato, fui repreendida. «Tudo o que fizemos no nosso percurso poderia ser previsto se tivéssemos todos os elementos necessários...

4. Um kit para detetar balelas

4. Um kit para detetar balelas

Com tanta água à volta, parece estranho dizer que a viagem tem sido uma seca nos dois últimos dias. O problema é a falta de vento... Para tentar escapar à depressão, a mesma que, aparentemente, causou pequenos tornados aí em terra, o capitão fez rumo ao Bancos de...

3. A jornada da heroína

3. A jornada da heroína

Sinto que agora a aventura verdadeiramente começa. Como no folhear das primeiras páginas de um romance, em que a mente analítica sustenta a leitura de cada frase a medir o potencial de interesse dos parágrafos e parágrafos que vêm a seguir, assim passei estes...

2. No bar do Ricky

2. No bar do Ricky

Estamos na primeira semana após a partida e o plano da viagem já está em risco de ser alterado. Tudo correu bem até chegarmos ao porto da Baleeira, junto ao cabo de Sagres, a meio da manhã. Foram 93 milhas tranquilas que até deram para dormir profundamente. Quando o...

1. Reviravolta ao mundo

1. Reviravolta ao mundo

Há uma calma hesitante quando a noite desce sobre o mar. Sinto-a como o resquício de uma memória da infância quando as luzes do quarto eram apagadas pelos meus pais e eu ficava no escuro atenta às ténues sombras formadas pela luminosidade a marejar pelas frinchas da...

Prólogo 5.c Perpendicularidades

Prólogo 5.c Perpendicularidades

«Ao contrário do que é comum pensar-se, as narrativas não são lineares. Assemelham-se mais a sequências geométricas com variadas configurações justapostas verticalmente. Explicando com maior detalhe, cada configuração geométrica corresponde a uma dada configuração da...

Prólogo 5.b Um diálogo peripatético (extra)

Prólogo 5.b Um diálogo peripatético (extra)

Deixou o dinheiro preso sob o prato vazio das bifanas, ajeitou o chapéu gasto na cabeça e, com um pequeno suspiro de velhos ossos, pegou na bengala e saímos da Adega dos Frades a sacudir algumas persistentes migalhas do peito. Segui-o rumo ao Terreiro de Santo...

Prólogo 5. Uma conversa peripatética

Prólogo 5. Uma conversa peripatética

Cheguei agora a casa depois do encontro com o Silva. Ele estava à minha espera na Adega dos Frades, sentado na sua mesa habitual, junto à parede de azulejos gastos, com a bengala encostada ao tampo da mesa de madeira. Não te acontece sentires que estás a regressar a...

Prólogo 4. Regresso do passado

Prólogo 4. Regresso do passado

Tenho mais novidades, mas vou acabar a história antes que me escape qualquer detalhe. Já percebeste: foi uma noite que não pertence a este mundo. E o mais estranho ainda não tinha acontecido. Estava a tentar perceber como tinha ido parar ao meio da Rua dos Mareantes,...

Prólogo 3. Mareantes submergidos

Prólogo 3. Mareantes submergidos

Desculpa a nova interrupção, era o administrador do condomínio, veio deixar-me o regulamento do prédio, um texto denso e repleto de pequenos preceitos. Só mesmo o típico apreço das formalidades exibido pelos titulares de cargos menores explica a sua insistência em me...

Prólogo 2. Contingências na esplanada

Prólogo 2. Contingências na esplanada

Desculpa a interrupção, era uma chamada da minha chefe. Diz que quer falar comigo pessoalmente, provavelmente para me despedir. É que ontem, depois de ela me mandar a mensagem, acabei mesmo por não lhe enviar o trabalho. Eu explico, deixa-me tentar retomar o fio à...

Prólogo 1. O início já vai a meio

Prólogo 1. O início já vai a meio

  Já te aconteceu quereres contar algo que te sucedeu e teres de voltar muito atrás para lhe conseguires dar sentido? É por isso que te peço paciência ao leres o meu e-mail, este longo testamento. As últimas 24 horas foram tão surreais que ainda me questiono se...

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