Nicolau Maquiavel rompeu com a tradição moralista da filosofia política ao analisar o poder tal como ele é exercido no mundo real. Em O Príncipe, sustenta que o governante deve possuir virtù, uma combinação de coragem, inteligência, determinação, capacidade de adaptação e de impediedade para dominar as circunstâncias e moldar o destino do seu Estado. Para Maquiavel, a política não é um concurso de virtudes morais, mas uma arte de sobrevivência em que o líder eficaz deve estar preparado para agir como leão, pela força, e como raposa, pela astúcia, sempre que a situação o exija.
Entre os seus ensinamentos mais famosos encontra-se a ideia de que é preferível ser temido do que amado, desde que o governante evite ser odiado. Maquiavel defende ainda que a aparência de virtude pode ser mais útil do que a virtude em si, aconselhando os líderes a apresentarem-se como piedosos, justos e religiosos mesmo quando os interesses do Estado exijam outras ações. A religião surge, assim, não apenas como uma crença, mas também como um instrumento capaz de reforçar a obediência e a coesão social. Esta visão pragmática e frequentemente implacável do poder transformou O Príncipe numa das obras mais influentes e, simultaneamente, mais desprezadas da história política ocidental.
No seu incontornável programa In Our Time, Melvin Bragg discute com os seus convidados aspetos interessantes sobre a vida, a obra e o pensamento de Maquiavel.
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Machiavelli By Santi di Tito – Own work, 25 November 2019, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=84353395
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