Jun 1, 2026

15. O Estado natural

Desta vez, a preparação da partida foi feita num ritmo tranquilo, sem a pressão da maré ou das horas de chegada a cumprir. Isso não significou, porém, que o Capitão ficasse a roncar até tarde. Levantou-se com o nascer do sol e começou a ultimar os preparativos para a viagem, que já tinham sido iniciados uns dias antes. Não era para menos: uma travessia do Atlântico Norte, possivelmente durante 15 dias ou mais, com 5 pessoas a bordo, tinha de ter tudo planeado ao mais ínfimo detalhe.

Quando cheguei ao cais, boa parte do trabalho já tinha sido adiantado e ajudei só na conclusão das últimas tarefas. Depois, fomos aos Metralhas para o último almoço em terra das próximas semanas, e rever a lista dos preparativos, da palamenta e dos mantimentos. Passámos pelos nossos aposentos para um derradeiro duche sem balanços, uma troca de roupa e a recolha dos restantes artigos pessoais. Na caminhada de regresso ao cais, não resisti a inquirir sobre o perfil dos conselheiros políticos que teríamos de aturar no mar alto.

«São três vultos polémicos, cada um a bordo por razões muito diferentes.”, disse o capitão, sem tornar explícita, contudo, a motivação de cada um deles.

Quando chegámos ao cais, o primeiro dos tripulantes estava também a chegar.

«Pontualidade britânica», murmurou o Capitão, sorrindo.

Vi-o aproximar-se do Nómada com passo firme e elegante, mala de cabedal escuro numa mão, um livro na outra, provavelmente o entretenimento de quem prefere chegar primeiro e esperar pelos outros. Não tinha pressa. Trazia um blazer de linho branco e calças cor de areia, sapatos náuticos de couro, uma camisa azul-pálida com botões de madrepérola e um lenço de bolso que parecia ter sido escolhido para refletir a luz dourada de Veneza. O cabelo castanho-claro perfeitamente penteado, um leve bronzeado britânico, daquele que se adquire deitado na relva e não em praias, e uns óculos escuros redondos de aros finos assentes num nariz que parecia ter sido moldado por escultores italianos do século XVII, aristocrático, sem ser vaidoso.

O Capitão inclinou-se para mim.

«Johnny Lucky», murmurou num tom meio conspirativo. «Conheceu o Huygens num retiro sobre estados alternativos de consciência artificial em Goa.»

Claro, pensei com um sorriso que não escapou ao Capitão.

«É um académico especialista em percepção, mas acabou por se meter em negócios de neuropublicidade. Agora divide-se entre conferências TED e consultorias sobre estratégias cognitivas para governos.»

Assenti com um “pois…” prudente, sem desviar os olhos daquele nariz que parecia ter sido esculpido para liderar discussões em grandes auditórios. Mesmo à distância, percebia-se que era daqueles que entram numa sala e fazem com que os espelhos se endireitem.

O Lucky subiu a bordo com a elegância de quem aprendeu a navegar em iates de madeira. Estendeu a mão ao Capitão, depois a mim, com um sorriso polido.

«O Nómada… mais espaçoso do que me tinham dito. E com excelente gosto na disposição dos cabos.»

Ainda estávamos a trocar as primeiras frases, quando ouvimos ao longe um grito alegre.

«Ahoy!!»

Outro dos tripulantes chegava, um homem alto de braço erguido a acenar ao longe, de passo elástico com um ritmo descontraído, saco de lona atirado ao ombro e uma mochila de carga leve às costas. Ao contrário do Lucky, tinha o ar de quem tinha sido apanhado diretamente na praia pelas pinças de uma dessas máquinas de brindes e largado no cais ilha do Corvo: um bronzeado intenso, cabelo comprido apanhado num coque improvisado, calções de caqui, t-shirt branca justa, ténis desbotados pelo sol e sujos de pó e óculos de sol espelhados. Na verdade, à medida que se aproximava ficava-se com a ideia de que tanto podia estar a chegar de uma travessia dos Andes como de um festival de verão em Montreux.

«Jay Jay Russo», anunciou o Capitão, com um meio sorriso. «Teve a sua fase musical nos anos 90. Reza a lenda que escreveu aquela balada que passava em todo o lado no verão da Expo em 98. Mais tarde, reinventou-se como instrutor de ski para madames abastadas em retiros espirituais nos Alpes. Um verdadeiro dândi pós-moderno, com talento para seduzir e desaparecer a tempo. Ultimamente dá workshops com títulos ambíguos como “Corpo, Liberdade e Velocidade” ou “Poética do Salto”.

O Russo aproximou-se com naturalidade, como se já fosse da casa, pousou o saco no pontão com um gesto largo e acenou. Cumprimentou o Capitão com um toque de punho e virou-se para mim com um aceno educado e caloroso e um daqueles sorrisos largos contagiosos que são difíceis de refutar.

«Jay Jay Russo, prazer.», saudou. E prosseguiu sem que ninguém lhe tivesse perguntado nada. «A viagem foi tranquila, tirando um grupo de adolescentes no ferry que me confundiu com um DJ escandinavo. Não tive coragem de os desmentir.», riu-se.

Era fácil gostar dele, mas igualmente fácil imaginar que esse charme solarengo pudesse tornar-se, com o tempo, um pouco ensurdecedor. Tinha o porte de quem está sempre prestes a propor um mergulho, uma ideia radical ou um sumo detox.

O Johnny Lucky emergiu do interior do convés com a elegância. Os dois fizeram um ar de surpresa e deram um abraço curto, mas genuíno.

«Ainda andas a treinar milionárias em Saint-Moritz?», perguntou o Johnny, divertido.

«Deixei-me disso. Agora só aceito clientes que me façam rir.», respondeu o Russo. «Estamos todos? Fui o último a chegar?», perguntou, com um ligeiro ar de presunção.

«Só falta um, o Hobbins.», informou o Capitão.

«O Bad Tom? Esse ainda está vivo?»

«Mais vivo do que nunca. Vem aí a abrir!», apontou o Johnny.

«Estás a brincar!»

Ouviu-se em crescendo um zumbido metálico e agudo, qualquer coisa entre uma máquina de costura acelerada e um berbequim em esforço. Do lado da entrada do cais vinha uma motorizada azul-celeste, uma cinquenta antiga, daquelas com assento largo e escape cromado, conduzida com insuspeitada gravidade por um motard vestido de negro que parecia um Kalkito aplicado por engano fora da Harley a que pertencia. A pequena máquina chegou ao fim do pontão com um último estertor heroico, parando junto ao Nómada como se tivesse atravessado meia Europa e não apenas um troço de estrada municipal com subidas suaves e cheiro a peixe seco.

O homem desmontou com a solenidade de quem chega a um funeral, talvez o dele próprio, tal era a morosidade dos movimentos. Vinha de blusão de cabedal preto, puído nas mangas, com um crânio flamejante bordado nas costas e a palavra “Leviathan” escrita em letras góticas; calças de ganga coçadas, capacete integral escuro com autocolantes desbotados, de um lado um “A” anarquista atravessado pelo sinal vermelho de proibição, do outro a frase “No State, No Peace”.  Movia-se com uma postura de veterano de estrada que estava deslocada naquela motoreta.

O Capitão inclinou-se na minha direção.

«Tom Hobbins. Ensaísta, motociclista e pessimista profissional. Alguns chamam-lhe filósofo político, outros profeta do desastre. Passou anos a atravessar a Europa de mota, a recolher histórias de guerras, colapsos financeiros, crises políticas e até desilusões amorosas, tudo só para provar uma tese que já tinha decidido que era verdadeira ainda antes de partir.»

«E qual é a tese?»

«Que os seres humanos são uma espécie de acidente mal resolvido.»

Hobbins tirou o capacete com a lentidão ritual de um cavaleiro medieval e revelou um rosto sisudo com cabelos grisalhos sobre os ombros a começarem a rarear no centro, barba com dois dias de desalento, sobrancelhas cerradas e olhos de quem leu demasiado e dormiu pouco. Olhou à volta como se tivesse recuperado subitamente a visão.

«Tom!»

O Russo saltou ágil borda fora e dirigiu-se de braços abertos com um sorriso rasgado.

«Ainda andas de volta daquele texto onde dizes que a esperança morreu num parque de campismo na Eslovénia?»

«Corrigi para Montenegro.», respondeu o Tom, impassível. «Ficava mais escuro, mais simbólico.»

Riram-se, deram um abraço de velhos cúmplices. A bordo do Nómada, de mãos nos bolsos, o Johnny Lucky acenou apenas com a cabeça, como quem mede, em silêncio, o grau de insanidade que se estava a instalar.

«Johnny.», disse o Tom, num tom neutro.

«Tom.», respondeu o outro, no mesmo registo.

«E a motoreta?», perguntei.

O Hobbins olhou para mim como se não tivesse dado conta da minha existência.

«Pedi emprestada a um pescador local.», disse, enquanto soltava a mochila atada em desequilíbrio no final do assento, «Troquei-a por meia garrafa de grapa artesanal e um ensaio manuscrito sobre o colapso da confiança institucional nos arquipélagos.»

Riu-se da sua própria piada.

Ia já meter um pé no convés quando o Capitão levantou o braço, seco.

«Nem botas nem saltos altos no Nómada. Barcos à vela e sola pesada não combinam.»

O Tom ficou parado por um momento. Depois fez um sorriso cansado, mas genuíno, e sentou-se no pontão para descalçar as botas. Fê-lo com a lentidão digna de um ritual: primeiro uma, depois a outra, deixando ver umas meias grossas às riscas cinzentas, com um buraco já a espreitar num dos calcanhares.

Enquanto os convidados arrumavam a sua tralha no interior e punham a conversa em dia, eu e o Capitão preparámos o Nómada para zarpar.

«Está completo o elenco. E que elenco!», exclamou em surdina o Capitão. «Todos eles foram precursores político que tem influenciado importantes decisores mundiais, nada comparado com aquelas nódoas de poluções intelectuais apelidadas de “comentadores políticos” que vemos na televisão. Três distintos pensadores; distintos nos dois sentidos, dado que um é realista, outro é reformista e o último é idealista. E todos eles metidos na mesma jaula navegante pode dar uma epifania!»

«Ou resultar num naufrágio.», gracejei.

E não demorou muito a estalar a bomba. Mal os esfíncteres e os corações deixaram de estar apertadinhos com a aventurosa saída do Porto da Casa – hás de ver o vídeo que te enviei; às vezes, o Porto da Casa nada tem de doméstico –, começaram logo a soar os primeiros batuques de discórdia.

«Tudo é mecânico e causal, para cada efeito há uma causa. Os princípios das ciências naturais devem ser aplicados à ciência do homem e da sociedade. A materialidade das coisas é a verdade. São as sensações que causam as ideias, elas não descem dos Alpes a saltitar pela natureza atrás da Mary Poppins a solfejar em tirolês.»

A voz do “Bad Tom” começava a revelar uma certa impaciência. A partir de um mero comentário sobre a natureza dos corvinos, tinha começado um debate de risco mortal sobre a natureza humana.

«Diz o homem da mota. Pareces um argumentista norte-americano dessas séries violentas, em que toda a gente tem uma natureza má.», contrapôs o Russo num tom trocista.

«As motas explicam mais do que pensas. A base do equilíbrio das motas é o movimento e aquilo que anima os motores de quem as conduz são o desejo e a paixão, guiados pela procura do prazer e a esquiva à dor. Assim somos todos nós nas nossas vidas. Tal como o verdadeiro motard, no nosso estado natural, sem lei nem organização política, nós somos individualistas e não tiramos verdadeiramente prazer da companhia uns dos outros. Pelo contrário, vivemos em discórdia e competimos pelos bens, pela segurança e pela reputação. No estado natural, o homem vive um constante temor da morte violenta e este medo torna-se a emoção mais forte. Sem uma autoridade política, a vida do homem é solitária…»

«Solitária, pobre, sórdida, bruta e curta.», completaram os outros em coro. «Nós conhecemos bem o anúncio», acrescentou o Lucky, rindo.

«Se conhecem, percebem então porque é preciso uma forte autoridade que impeça o homem de se tornar um filho da anarquia.»

«Filhos da anarquia é o que não faltam por aí.», gracejou o Russo.

O tom de voz do Tom baixou como se acompanhasse a mudança para um tema trágico. Puxou de uma garrafa de grogue da mochila junto à entrada da cabine e deu um trago pelo gargalo.

«Nas minhas viagens pela Europa, eu ouvi em primeira mão, na Grécia, o relato feito pelo Tucídides sobre a guerra fratricida que os locais sofreram e não há ninguém que deseje passar por tal.»

Com um movimento de abnegação dos ombros, deu uma última passa no cigarro e preparava-se para atirar a beata borda fora.

«Na, na, na.», interrompeu o capitão. «A beata vai para a latinha das cinzas. A vida pode ser solitária, pobre, sórdida, bruta e curta, mas aqui no oceano não é, de certeza, poluidora.»

«Eu não costumo…»

«Claro que não.», anuiu o capitão.

«É nestas coisas, Tom, que vemos como tu, felizmente, tens uma natureza diferente daquela que apregoas.», observou o Russo, dando uma leve palmada no joelho do colega, distraindo-o para lhe roubar um gole da garrafa de grogue. «O estado natural do homem é a comunhão com a natureza e isso vê-se nas crianças. A nossa natureza é benigna e somos movidos pelo amour de soi com vista à nossa preservação e pela pitié, a compaixão e repulsa pelo sofrimento, não só do nosso, mas também do de outras criaturas.»

«Não foi isso que disseste sobre os pequenos tiranos de Chambéry e de Lyon, que querias benignamente atirar do topo da casa.», atalhou o Lucky.

«Podemos falar sobre a educação dos petizes noutra altura, Johnny, e muito tenho a dizer sobre as tuas ideias. Mas agora, estamos a falar da natureza humana e da forma como a sociedade a corrompe. Esse é que é, meus caros, o problema, porque a competição pelos bens e pela honra de que o Tom fala é uma corrupção provocada pela sociedade na natureza humana. Só fora da condição natural é que o homem mede as suas necessidades à medida da dos outros homens. A propriedade privada e a congregação social humana não são naturais, como muitos querem fazer crer.»

«Aí vem o discurso revolucionário…», suspirou o Lucky, fazendo o Russo eriçar o pescoço.

«Amigo, não faças essa cara de santo, até porque tu foste evocado numa revolução que mudou muita coisa na configuração geopolítica atual. Podemos falar de propriedade privada noutra altura, mas há uma coisa que a sociedade fez que foi transformar o instinto benigno de preservação numa vaidade, o amour-propre, esse sentimento de que temos de ser mais do que os outros.»

«Vá lá, não sejas radical.»

As veias no pescoço do Russo começaram a ficar visíveis.

«Achas? Já viste o que se passa nas redes sociais? É tudo superficial e pouco verídico, o Facebook bem que podia ser o Fakebook. Entrar nas redes sociais é meter o pé num lodaçal de vaidades que mostra o quanto abjetos nos tornámos, sem ousarmos confrontarmo-nos, no meio de tanta filosofia, benevolência, delicadeza e de tão sublimes códigos de moralidade, com o facto de que nada temos para mostrar exceto uma frívola e enganadora aparência, honra sem virtude, razão sem sabedoria, prazer sem felicidade!»

Fiquei espantada com o fôlego de uma frase tão longa dita numa só baforada. A alteração de humor era visível em toda a expressão do Russo. Ninguém quis dizer nada a ver se amainavam os ânimos.

O Lucky esticou-se para alcançar a garrafa de grogue das mãos do Hobbins, deu um trago e passou-a ao Russo.

«Eu não sei como é que vocês conseguem adormecer com as vossas ideias, eu sentir-me-ia aterrorizado ou revoltado ao ponto de ter insónias.»

O Russo empinou a garrafa e deu três goles seguidos até o Hobbins lhe roubar a garrafa de volta.

«Não quero estar a contra-argumentar, mas um estado natural baseado na razão assente na colaboração humana parece-me mais próximo da realidade.», disse.

«Um clube de gentlemen.», troçou o Bad Tom, dando um longo trago até o Russo lhe surripiar novamente a garrafa da boca.

«Vocês os dois partem sempre do pressuposto de que o homem isolado vive sozinho. Eu nunca conheci esse homem. Conheci pescadores, comerciantes, agricultores e artesãos. Todos eles fazem acordos, cumprem promessas, trocam bens e reconhecem direitos mútuos muito antes de aparecer um Estado para lhes dizer como se comportarem. A razão ensina-lhes que, sendo todos livres e independentes, ninguém deve lesar outro na sua vida, na sua liberdade ou nos frutos do seu trabalho.»

O Tom ficou em silêncio, como se estivesse interiormente à procura do cérebro; enquanto isso, o Russo parecia querer fazer do grogue propriedade privada do seu estômago.

«E qual é a piada disso?», disse o Tom, a tentar controlar um arroto.

«A piada é que vocês os dois passaram metade da vida a imaginar homens que nunca conheceram.», respondeu o Lucky com serenidade. «Tu imaginas um homem tão egoísta que precisa de um Estado para não matar o vizinho. O Russo imagina um homem tão puro que só a sociedade o consegue corromper. Eu olho para o mundo e vejo gente bastante menos interessante.»

O Russo levou a mão ao peito, teatralmente ofendido.

«Menos interessante?»

«Sim. Pescadores preocupados com a próxima maré. Comerciantes preocupados com a próxima encomenda. Agricultores preocupados com a próxima colheita. Gente que faz acordos, cumpre promessas e resolve problemas sem precisar de transformar cada desacordo numa teoria sobre o destino da humanidade.»

«Que visão deprimente.», suspirou o Russo.

«Pelo contrário. Acho-a reconfortante.»

O Tom abanou a cabeça.

«Até ao dia em que lhes falte comida.»

«Até ao dia em que lhes apareça um filósofo.», contrapôs o Russo.

Desataram os dois a rir-se. O Lucky tirou-lhes a garrafa das mãos e bebeu mais um gole.

«Estão a ver? Nem sequer conseguem concordar sobre a origem dos problemas.»

«A origem dos problemas são sempre os outros.», declarou o Tom.

«Não. A origem dos problemas é a propriedade privada.», corrigiu o Russo.

«A origem dos problemas é o excesso de confiança dos filósofos nas suas próprias teorias.», concluiu o Lucky.

Por um instante ficaram em silêncio, a olhar uns para os outros.

«Isso foi para nós?», perguntou o Russo.

«Naturalmente.»

«Então também te inclui a ti.»

«Claro.», disse o Lucky, dando mais um gole.

O Tom soltou uma gargalhada inesperada que se contagiou aos outros dois. Foi o suficiente para que a conversa abandonasse definitivamente a filosofia. Em lugar de se atirarem à garganta uns dos outros, atiraram-se ao gargalo da garrafa e enveredaram por outros territórios: antigos amores, revoluções falhadas, canções dos anos noventa, a qualidade do grogue português, a decadência das universidades e a existência ou não de sereias no Atlântico Norte. A partir daí, a lógica afundou-se rapidamente.

Enquanto estou a escrever, eles estão a cantar – grasnar, berrar, bramir – e não tardará muito estarão a regurgitar. Vão apresentar da maneira mais direta os resultados da mistura explosiva de álcool com os balanços de um barco.

O que vale é que o mar está um pouco mais calmo e é fácil uma pessoa inclinar-se borda fora sem cair ao mar e sem sujar o convés.

J. J. Russo

Um fervoroso suíço, defensor irredutível da sua Genebra natal. Um homem de grandes paixões, tornadas públicas nas suas autobiografias, parece viver sempre num de dois extremos, entre o amor e o ódio.

Johnny Lucky

A personificação da elegância e da perspicácia de um “english gentleman” com um humor corrosivo. Antes de se tornar um guru político com imenso sucesso nos Estados Unidos, Johnny Lucky deu cartas na área do pensamento científico

Bad Tom Hobbins

Quando o grogue o deixa mais solto, relaxa ao ponto de contar histórias como a do seu nascimento prematuro quando a mãe se acagaçou com a horda de adeptos do Barcelona que espalharam o caos em Inglaterra durante a final da Taça dos Campeões Europeus. Sóbrio, torna-se defensivo e até arrogante.

Excluindo as imagens criadas pelo autor deste blog, as imagens utilizadas neste post têm as seguintes lincenças:

J. J. Rousseau: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jean-Jacques_Rousseau_(painted_portrait).jpg

John Locke: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:John_Locke.jpg

Thomas Hobbes: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Thomas_Hobbes_by_John_Michael_Wright_(2).jpg

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