Se há um rei dos imitadores de O Príncipe é Robert Greene. Em The 48 Laws of Power, ele seleciona episódios históricos para ilustrar as suas máximas simplificadas sobre manipulação, controlo e conquista de influência. Numa frase, como diz Stephan Joppich no seu blogue, o mote do livro é: “Não confies em ninguém. O único objetivo da vida é acumular poder. Portanto, manipula, trai e atropela quem for preciso, desde que acabes por te safar”. Um livro de autoajuda que, como diz Joppich, deveria chamar-se How to Abuse Friends and Exploit People. Talve isso explique porque é que está no topo da lista de livros requisitados pelos detidos nas prisões americanas.
Outro “guru” da manipulação e da subida ao poder é Ryan Holiday. Em Trust Me, I’m Lying, Holiday descreve os mecanismos de manipulação dos meios digitais e da economia da atenção, alimentando a fantasia moderna de que qualquer pessoa suficientemente astuta consegue controlar a narrativa pública. É uma espécie de Maquiavel para a era dos cliques.
E depois há Rollo Tomassi (sim, é o nome do assassino desconhecido apresentado no livro L.A. Confidential de James Ellroy, adaptado também ao cinema). O livro The Rational Male é um dos mais influentes na manosfera, a par do de Greene. Tomassi apresenta uma filosofia pessimista que incentiva a desconfiança e transforma relações humanas complexas numa sucessão de cálculos estratégicos em nome de conceitos como “hipergamia”. Evocando o comprimido vermelho do filme Matrix que permite “ver a verdade”, Tomassi dá exemplos de como se mostra a importância dos homens. Ver para crer! (inconsistências lógicas e falácias à parte, ver este vídeo pode equivaler à gargalhada mortífera do Joker).
Para quem tem menos tempo livre, esta reportagem da BBC analisa as razões pelas quais os conteúdos da manosfera exercem uma forte atração sobre muitos rapazes e jovens adultos. Com recurso a entrevistas a especialistas e à análise das redes sociais, o curto documentário explora temas como a identidade masculina, a solidão, os algoritmos das plataformas digitais e os mecanismos de radicalização online.
Para quem tem mais tempo, vale a pena ver a apresentação feita pelo jornalista britânico James Bloodworth da sua investigação de cinco anos sobre o universo da manosfera a partir de entrevistas, trabalho de campo e contacto direto com algumas das suas comunidades. Em vez de recorrer à caricatura ou à condenação simplista, procura compreender os fatores sociais, culturais e psicológicos que explicam o crescimento deste movimento e a sua atração sobre muitos homens jovens. E depois, há o recente documentário de Louis Theroux Inside the Manosphere, apresentado na plataforma Netflix.
Excluindo as imagens criadas pelo autor deste blog, as imagens utilizadas neste post têm as seguintes lincenças:
Cartoon de Donald Trump por Ben Jennings no jornal The Guardian: https://www.theguardian.com/commentisfree/picture/2025/jun/19/ben-jennings-donald-trump-dilemma-over-the-israel-iran-conflict-cartoon
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