Jun 6, 2026

Na terra dos penicos de ouro

Utopia, escrita por Thomas More e publicada em 1516, é uma das obras mais influentes do pensamento político e social europeu. Nela, More descreve uma ilha imaginária onde existe uma sociedade organizada de forma racional, com propriedade comum, tolerância religiosa e um sistema político orientado para o bem-estar colectivo. A obra surge como uma crítica implícita às desigualdades, à corrupção e às injustiças da Europa do seu tempo, utilizando a ficção como meio para questionar a realidade.

Essa crítica torna-se particularmente incisiva quando More aborda a questão das enclosures, denunciando a apropriação de terras comunais por interesses privados ligados ao poder. Ao escrever que “each greedy individual preys on his native land like a malignant growth […] absorbing field after field, and enclosing thousands of acres with a single fence”, acrescentando que “a few greedy people have converted one of England’s greatest natural advantages into a national disaster”, More expõe a violência económica e social desse processo. A concentração da terra nas mãos de poucos expulsava camponeses, destruía formas de subsistência e aprofundava desigualdades — um tema que atravessa a obra Utopia e que revela a dimensão política da obra, onde o ideal imaginado serve também como denúncia concreta das transformações do seu tempo.

 

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