May 21, 2026

10. O encontro dos capitães

Lembras-te das aventuras dos Cinco? Os Cinco no Lago Negro e os Cinco e o Comboio Fantasma eram as minhas histórias favoritas por serem as mais noturnas. Pois, não vais acreditar, mas esta noite vivi uma aventura do mesmo tipo, daquelas em que alguém diz «Se aparecer alguém, faz um sinal com as luzes».

Como te tinha dito, fomos para o encontro de capitães no Peter Café Sport. Trata-se de um lugar mítico para a comunidade mundial de velejadores. Começou por ser uma loja, mas depois mudou de instalações para junto do porto e um dos filhos do proprietário decidiu ampliar o espaço e criar um bar vocacionado para os homens do mar. O nome Peter era uma espécie de alcunha do filho do proprietário que explorava o bar; era assim chamado por um oficial da marinha inglesa que o achava parecido com o seu filho Peter e o nome ficou.

«Aproveito para levantar o correio que tenho aqui à minha espera», disse o capitão.

«O bar é um posto de correios também?»

«Antes dos e-mails e das mensagens instantâneas, os velejadores enviavam o seu correio para o Peter, que o guardava e entregava conforme os velejadores passavam por aqui. Conta-se que até a mulher do Chichester, que era amigo do Peter, enviava para aqui as suas cartas para serem entregues ao marido.»

A fachada azul com duas singelas janelas não indicia o espaço do bar/restaurante, massivamente decorado com bandeiras, utensílios náuticos e outros artefactos ligados à temática do mar. À nossa entrada, três homens sentados à mesa no canto direito da entrada levantaram os olhos. Um deles ergueu-se, afastou uma cadeira e criou espaço para juntar outra mesa.

«Nemo, há já alguns meses que não te via.», disse com vivacidade o capitão Jackdaw, saudando o homem que se tinha levantado em toda a sua altura para manobrar a mesa, os movimentos comedidos, como se cada gesto tivesse sido ensaiado para transmitir disciplina. Vestia um casaco naval de corte antigo, azul-escuro, com botões de latão reluzente, sem uma única mancha de sal ou poeira, tão imaculado que parecia impróprio para uso no mar. Dei por mim a apurar olfato a tentar detetar o cheiro a mofo e naftalina do casado tirado do guarda-fatos apenas para a ocasião. «Andas submergido há demasiado tempo.», acrescentou o capitão, dando-lhe uma leve palmada no ombro. A efusividade da saudação não o fez parar de me fitar com uma expressão desenhada a esquadria. Tinha um sorriso fino de dentes bem alinhados, perpendicular a um nariz que descia a direito de uma grande testa, separando simetricamente os olhos negros bem distanciados um do outro. Parecia ter feições indianas, mas a pele era pálida, quase translúcida, como se tivesse perdido todo o sangue, condição atestada pela mão gelada com que me cumprimentou.

«Tempo suficiente para me gelar as mãos, mas não o coração.», sorriu, acariciando os meus dedos.

«Kirk. », interpôs-se outro dos capitães, com um sorriso juvenil de rapaz de escola em férias, vestido com um uniforme minimalista que parecia tirado de uma daquelas revistas de ficção científica dos anos 60. O cabelo era demasiado bem penteado para um marinheiro e o sorriso largo, quase ingénuo, contrastava com um olhar astuto de quem já viu o outro lado do universo e regressou para contar. Quando me beijou a mão, houve um momento de hesitação, como se esperasse uma reação específica, talvez uma citação ou uma senha partilhada entre iniciados de um clube de fãs de aventuras galácticas. “Mas pode chamar-me Jim”, disse ele. E piscou-me o olho, como se partilhássemos um segredo antigo.

O terceiro elemento permaneceu sentado com um cigarro no canto da boca de finos lábios esticados, quase a tocarem nas longas patilhas negras que desciam do boné de capitão como cordas de amarração. O rosto angular parecia ter sido aparado pela agrura de diferentes ventos e dois rasgões longitudinais abrigavam os olhos negros vagantes num olhar ausente, a meio caminho entre uma recordação dolorosa e um poema inacabado. A pele tinha o bronze antigo de quem vive no sol e no sal; a orelha esquerda ostentava uma argola dourada que dava ao conjunto um ar exótico de contrabandista de romances de banda desenhada.

«Então, Corto, ainda não te decidiste pelos adesivos de nicotina?»

Os olhos fixaram-se em mim, parecendo querer adivinhar segredos que nem eu sabia que guardava.

“Preciso de algo para entreter os meus lábios”, murmurou em defesa do cigarro inerte, sem desviar o olhar de mim. Não virei a cara, encarando-o com um certo desafio e os olhos dele pareceram brilhar.  Um sorriso espreguiçou-se-lhe lentamente no rosto e acrescentou, dirigindo as palavras ao Capitão Jackdaw pelo canto da boca: «Assim, mantenho-me longe de problemas.»

«Boca fechada, boca dourada.», exclamou o capitão Nemo e projetou para o teto uma gargalhada sonora que atraiu o olhar de toda a gente.

«Shhh, discrição, companheiros.», sussurrou o capitão Jackdaw. «Mais alguém está por cá?»

«O Aubrey chegou ontem à noite e está a curar uma ressaca. O Haddock está no calabouço da esquadra. Começou a puxar a barba de um velhote e foi levado pela polícia, mas não deve demorar a sair. Talvez cheguem mais uns quantos antes do pôr do sol», informou o capitão Corto.

Enquanto o capitão falava com os seus companheiros, dentro de mim os alarmes soavam bem alto. Quem são estas figuras com nomes de personagens de livros e de séries de televisão? Será que são como a Ms. Lortz? «Não pode ser», disse a mim própria, justificando que o capitão Jackdaw não estaria à conversa com eles daquela maneira. Parecia que se conheciam há imenso tempo, tal era a cumplicidade da interação entre eles. Provavelmente, eram outros misantropos como o amigo do capitão que vive no farol em Santa Maria, só que estes tinham a pancada de fabricar as suas identidades.

O capitão Jackdaw lembrou-se da minha existência, ao ver-me a observá-los à distância. Talvez por se ter apercebido do meu desconforto, entregou-me estrategicamente aos cuidados do Sr. José Henrique Azevedo para visitar o museu particular de “Scrimshaw” e as suas magníficas peças decorativas feitas com dentes de cachalote gravados e pintados com temas náuticos.

«Vamos rever os detalhes, então.», ainda ouvi o capitão Jackdaw dizer.

Depois, quando voltei da curta visita guiada, já estavam à volta do menu.

«Um Bife à Peter, tenho uma fome vinda das profundezas», vociferou o capitão Nemo, soltando mais uma sonora gargalhada.

Todos foram para os pratos de carne, mas eu optei por uma salada de húmus. Os pratos parecem deliciosos e talvez em breve haja opções à base de plantas para o famoso bife com molho pirata dos Açores. Os companheiros de mesa foram corteses no seu charme, apesar de se notar que estavam há demasiado tempo isolados no mar alto sem visitarem um porto de abrigo, se percebes o que quero dizer. Por mim, tínhamos ficado por lá o resto da tarde a conversar, mas o capitão Jackdaw pôs-nos a andar.

«Vemo-nos mais logo.»

Regressámos aos nossos aposentos só para pegar em casacos para a brisa que se levantava e levar emprestado um carro que o dono da casa, amigo do capitão, tinha arrumado ao fundo da garagem. Era um Fiat Panda dos anos 90, cor verde azeitona desbotada, que cheirava vagamente a couro antigo e tabaco velho.

«Leva este, não se nota tanto à noite.», disse.

E eu, que nunca me tinha visto como personagem de um romance de espionagem, fiquei a pensar ingenuamente tratar-se de um aviso sobre a circulação ilegal de um “boguinhas” que não devia fazer uma inspeção há já uns bons anos. Falta-me o treino para detetar o verdadeiro sentido das frases!…

Começámos o circuito junto à cidade da Horta, numa visita à Caldeira do Inferno. Depois, prosseguimos para norte, até ao Miradouro do Cabeço das Pedras Negras, de onde avistámos a ilha do Pico e o oceano à volta. Parámos na Igreja da Nossa Senhora de Fátima, uma singela casa com uma escura torre do relógio que parece mais uma chaminé convertida. Quando pensava estarmos a entrar no carro para regressar à cidade, o capitão fez uma aviso aos passeiros, que era só eu, de que iríamos fazer um pequeno desvio.

«Vamos só passar pelos Capelinhos para dizer olá a outros amigos que, entretanto, chegaram à ilha», explicou.  

Talvez tenha sido a sugestão dos nomes dos lugares visitados ou a progressiva agressividade dos elementos naturais, mas quando o capitão me informou do desvio na rota, a minha perceção do simples passeio de carro começou a mudar.

À medida que nos aproximávamos da zona do vulcão, a paisagem transmutava-se como se estivéssemos a entrar num episódio de A Quinta Dimensão. O capitão parou o carro junto ao muro da entrada do parque de estacionamento. «Invisível para quem passe na estrada», pensei, com o meu coração a acelerar. Percebi então a referência do dono da casa sobre a conspicuidade do Panda no escuro.

À frente, recortado contra o céu escuro, via-se o contorno do farol da Ponta dos Capelinhos, ou o que restava dele, com a estrutura desmoronada das ruínas a fazer lembrar uma capela submersa que emergira de um sonho vulcânico.

O capitão saiu do carro sem desligar o motor. A luz interior acendeu-se e por um instante vi-lhe o rosto iluminado de cima para baixo, revelando rugas que se aprofundavam como sulcos marítimos. Afastou-se por uns instantes a inspecionar o ambiente à volta e regressou ao carro, inclinou-se para o interior, apoiado na porta aberta, e desligou o motor. Fez-me sinal para passar para o lugar do condutor e disse-me numa voz mais baixa do que o necessário.

«Se aparecer alguém, faça um sinal com as luzes.»

Fiquei a olhar para ele, sem saber se aquilo era uma precaução razoável ou uma espécie de código para uma missão secreta. Ele percebeu a minha hesitação e acrescentou.

«Três piscadelas curtas. Não saia por nada. Isto é só uma reunião. Uma conversa entre velhos lobos do mar. Não deve demorar.»

E depois, como quem deixa um último conselho antes de largar amarras.

«Confio em si.»

Fechou a porta com suavidade e desapareceu em direção ao farol, a sua silhueta engolida por um manto de sombra.

Fiquei sozinha no carro. Ou quase sozinha. O ambiente à minha volta parecia conter uma presença expectante, como se a própria ilha aguardasse algo. A noite estava límpida, mas sem lua, e apenas uma fina poeira de estrelas pendia no céu. O som do mar vinha abafado, lá em baixo, como se murmurasse atrás de uma cortina grossa invisível no escuro. À minha frente, o caminho desaparecia quase imediatamente no escuro. Atrás, só o muro.

«Conversa entre velhos lobos do mar, o tanas…», resmunguei.

Olhei à volta no interior do carro e vi no banco de trás uma manta xadrez dobrada. “Deve ser para as vigílias nas noites frias”, bufei. Não ousei pegar no telemóvel, já contaminada com a paranoia de assinalar a minha presença no escuro, e liguei o rádio baixinho, ainda sintonizado numa estação local que tocava um fado sem se perceber a letra.  Com os dedos nos joelhos e os olhos na escuridão, senti o coração a bater com uma cadência nova; não de medo, mas de antecipação. A noite estava viva. Qualquer coisa ia acontecer.

Os minutos arrastaram-se sem que nada acontecesse. O fado terminou e deu lugar a outra canção, depois a uma terceira, enquanto o ponteiro dos minutos avançava com a lentidão exasperante própria das esperas noturnas. A certa altura, comecei a duvidar das minhas suspeitas. Talvez estivesse simplesmente sentada dentro de um carro emprestado, a observar sombras e a alimentar fantasmas. O frio começou a infiltrar-se pelo casaco e puxei-a a manta do banco de trás para cima das pernas. Deviam ter passado mais de vinte minutos desde a saída do capitão.

Estava a tentar convencer-me de que aquilo era apenas mais uma noite estranha, quando ouvi o som. Não era um som particularmente alto; não era metálico, nem orgânico. Parecia um gemido surdo, prolongado, que vinha de um lugar indefinido, talvez do próprio farol, talvez ainda de mais além. Ergui a cabeça instintivamente. O rádio murmurava agora o mesmo fado distante que tinha ouvido antes, como se o tempo não tivesse passado. Desliguei a música e sustive a respiração a tentar escutar no vazio, mas nada. Expirei para recuperar o folego o mais silenciosamente possível. De repente, o som voltou e interrompi a respiração, mas o que quer que fosse escondeu-se atrás de um eco.

Senti os meus dedos cravarem-se no assento do carro. Ele tinha dito «Se aparecer alguém» e aquilo não era bem alguém. Era um som. Um som estranho, é certo, mas sem forma, sem rosto, sem categoria definida. Três piscadelas curtas com os faróis? E se fosse alguma máquina abandonada a ceder à ferrugem? E se…?

O som voltou, interrompendo-me. Desta vez, mais nítido e mais próximo, como se algo que estivesse… a raspar? A minha imaginação disparou num relâmpago. Pareciam unhas de alguma criatura, humana ou não, a moverem-se lentamente contra uma parede pedra.

«Nightmare in Azores: Salty Air and Rusty Nails » disse a mim própria, a tentar sacudir o medo com uma piada a ridicularizar toda situação. Imaginei-me a fugir do Freddy Krueger descampado afora com um top branco semitransparente colado ao corpo, as aurelas das mamocas num plano próximo, a saltitarem em câmara lenta para se apreciar bem os detalhes anatómicos… E veio-me à cabeça que esta coisa do medo e da excitação sexual surgirem associadas nos filmes de certos autores vai além do fenómeno do “exploitation cinema”. De certeza que é uma revisitação à Amarcord do terror de serem apanhados a masturbarem-se às escondidas…

A minha divagação foi cortada a meio por um som que parecia mais próximo de unhas a esgaravatarem numa parede acompanhadas de um lamento profundo. Senti um arrepio a subir pela espinha acima e foi aí que compreendi que o pior não era o medo do som. Era não saber se devia fazer alguma coisa ou nada. O pânico silencioso da indecisão e do desconhecimento.

Olhei para o volante. A minha mão pairou sobre a alavanca da luz, mas não a puxei. Esperei. Tinha o coração aos saltos e uma voz interior a gritar disparates. Então, abri lentamente a porta do carro. Tinha prometido ficar no carro, mas não queria dar um falso alarme.

Lá fora, a noite pareceu-me mais espessa. O ar tinha um cheiro mineral, como se estivesse numa gruta. Restos de cascalho rangiam sob a sola dos ténis no empedrado do asfalto. Dei alguns passos em direção ao farol. Não muito, apenas o suficiente para me afastar do carro e do muro que me tapava para tentar perceber de onde vinha aquele lamento.

O farol mantinha-se imóvel ao fundo da falésia, uma sombra maior do que as outras. De repente, pensei que o farol parecia um dente ancestral deixado cravado pela dentada de um titã num mundo entretanto desaparecido e senti crescer um pânico idiota dentro de mim de ser arrebatada por um gigante sedento de carne humana. Ia começar a retroceder para o carro, a respiração presa na garganta, quando ouvi algo entre o silêncio e o pulsar incessante do coração nos ouvidos. Algo parecia mover-se ao longe nas sombras do lado do vulcão em direção ao farol. Não era um vulto abstrato ou uma mancha de nevoeiro; era uma forma humana sólida a mover-se silenciosamente que parecia escutar mais do que andar. O tempo congelou-se. De repente, uma das pedrinhas de cascalho quebrou o silêncio debaixo dos meus pés e o vulto parou. Tinha revelado a minha presença.

A adrenalina explodiu. Corri na direção do carro com as pernas a patinarem no empedrado e a ensaiar braçadas como se pudesse nadar no ar espesso para me deslocar mais depressa. O Panda parecia agora estar irresponsavelmente distante. Quando o alcancei, tropecei no pneu virado para fora como se o próprio carro, gozão, me tivesse passado uma rasteira. Deslizei em queda ao longo do carro, a maneta da porta a escapar-me dos dedos. No instante seguinte, sem me dar conta de como me tinha levantado tão rapidamente do chão, abri a porta com vigor e lancei-me no interior, a testa a bater ligeiramente no resguardo do tejadilho, e fechei a porta com a mesma violência com que tinha entrado, trancando-a de imediato. O som da fechadura foi um alívio quase físico.

Joguei a mão à alavanca das luzes, mas parei com receio do que pudesse ver. Pensei em ligar ao capitão, meti as mãos ao bolso das calças, mas o telemóvel tinha desaparecido. Olhei em volta, ofegante, sem o ver. Inclinei-me sobre o espaço entre os assentos dianteiros, nada. Debrucei-me sobre o lado do passageiro e vi um reflexo no tapete em frente. Estiquei-me, o bolso das calças preso na maneta das mudanças, quase a rasgar a roupa, mas consegui apanhá-lo.

Foi nesse momento que ouvi a maçaneta mexer. Quase morri. Um grito subiu-me à garganta e ficou preso. Os olhos escancararam-se, o coração parou e depois recomeçou a bater com força suficiente para partir as costelas. O som da maçaneta a ser forçada do lado do condutor repetiu-se mais duas vezes e depois parou. Ouvi então uma voz abafada e um bater leve no vidro.

«Sou eu. Está tudo bem?»

Era a voz do Capitão Jackdaw.

Destranquei o trinco com um gesto brusco, ainda em estado de choque. Ele abriu a porta e ficou a olhar para mim, com um ar inquiridor.

«Vi uma sombra… ouvi um som estranho… pensei que…»

Ele assentiu, sem surpresa.

«Sim, eu também ouvi.», assentiu, enquanto eu tentava recuperar o fôlego. «Não se preocupe, há ali uma pequena fabriqueta que trabalha à noite, uma destilaria artesanal que aproveita a geotermia residual. Fazem um tipo raro de licor de inhame-do-mar que exportam para o Japão, acredita-se que é afrodisíaco.”

Eu não consegui responder. Tinha os olhos fixos nele, sem conseguir perceber se ele estava a falar a verdade.

«A sombra devia ser provavelmente alguns dos trabalhadores de regresso a casa. Alguns atalham caminho por ali», disse, meneando a cabeça na direção do caminho para o farol. «Não se preocupe, está tudo bem.»

Fez-me sinal com um sorriso para trocarmos de lugar novamente, mas optei por não sair do carro e deslizei por cima do travão de mão e da alavanca das mudanças, desta vez sem ficar presa. O capitão sentou-se, pôs o cinto e ligou o carro. Durante o caminho de regresso à casa, ele não falou muito. Limitou-se a conduzir com o habitual ar absorto e impenetrável.

«É possível que tenhamos de partir mais cedo do que previsto», disse apenas, antes de estacionar. «Mas para já, vá descansar. Amanhã voltamos a falar.»

Nem lhe perguntei nada sobre o encontro. Não que valesse de muito, provavelmente contava outra patranha qualquer, que é o que eu penso que é a história da destilaria artesanal…

Claro, agora, deitada na cama de lençóis macios e almofadas que cheiram a sabão azul e branco, tudo parece menos assustador, mas o coração ainda está agitado e não consigo dormir. A cabeça repete o som e não consigo visualizar porque é que uma destilaria faria tal ruído. Por isso, estou a escrever-te. Porque se amanhã acontecer alguma coisa, quero que saibas que hoje, por pouco, me deu um ataque cardíaco por causa de uma sombra. E porque mesmo agora, já em segurança, continuo a perguntar-me: o que raio se passou naquele encontro? E quem esteve lá?

Capitão James T. Kirk

“Un charmant”, diriam as francesas. Com um sorriso fácil e um olhar intenso, o capitão Kirk não deverá ter dificuldades em encontrar companhia.

Capitão Corto Maltese

Enigmático, evita o contacto visual, mas quando nos olha nos olhos, parece penetrar nos nossos pensamentos. Assustador e atrativo, como os homens que as mulheres devem evitar.

Capitão Nemo

Um “gentleman” com um profundo assomo de insanidade: ora se deixa estar silencioso fechado nos seus pensamentos, ora a seguir se solta ruidoso para o mundo.

Excluindo as imagens criadas pelo autor deste blog, as imagens utilizadas neste post têm as seguintes lincenças:

Captain James T. ​Kirk: https://pxhere.com/en/photo/951726

Capitão Nemo: https://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%A4%D0%B0%D0%B9%D0%BB:Vladislav_Dvorzhetsky_as_Captain_Nemo.jpg

Corto Maltese: Ludo D. Rodriguez  https://ch.pinterest.com/pin/432978951655001549/

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