Jul 5, 2025

30 – A deriva da (in) permanência

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Deixámos a enseada ao amanhecer, logo depois de a névoa matinal se dissipar com a leveza sentida numa casa a arejar de janelas abertas. O sol espreitava por entre os ramos de coníferas que não reconheci, talvez abetos e pinheiros, lançando sombras na suave ondulação. Ani vinha connosco, depois de ter pedido ao capitão uma boleia até Sydney.  Ele aceitou-a de imediato, em contraste com a resignação com que tinha recebido nas mãos o chá de cevada por ela preparado para nós antes da largada. Uns minutos depois, a expressão de suspeita de um miúdo forçado a tomar um remédio amargo tinha mudado para a de quem sente o reconforto de uma bebida saborosa. Assumiu o leme com o seu habitual silêncio de início de jornada e eu recolhi as amarras.

Navegámos lentamente pelas águas interiores, entre enseadas e curvas suaves do lago Bras d’Or. O barco deslizava suavemente nas ondas sob os nossos pés e os cabos murmuravam pianinho nas escotas, como se quisessem manter a tranquilidade daquela manhã. Ao nosso redor, a paisagem alternava entre bosques cerrados e falésias suaves que desciam para as margens, salpicadas por casas brancas de madeira de telhados vermelhos, prateados e azuis, algumas com varandas viradas para a lago.

Ani sentou-se junto à proa, com as pernas cruzadas, as mãos assentes sobre os joelhos com os polegares a formarem um círculo com o indicador – mais tarde, soube que esta posição se designa gyan mudra e simboliza a união da consciência individual com o conhecimento universal. A brisa movia-lhe o manto cor de açafrão e afagava-lhe o rosto sereno, sulcado por rugas que pareciam trilhos de um mapa mais antigo do que qualquer um que tenhamos levado a bordo. Eu fiquei por perto, ocupando-me da navegação auxiliar, mas atenta aos gestos da monja, como se a sua respiração tivesse o poder de alterar o ritmo do vento.

«Há pouco disse que já não respondia a nomes», arrisquei, quando ela se levantou, mais para a ouvir do que para a questionar.

«Respondo quando é necessário. O nome é uma convenção — como a ideia de “eu”. Passamos a vida a defender uma imagem de nós mesmos, como se isso nos desse estabilidade, quando a prática nos revela que a nossa verdadeira natureza é movimento, impermanência.»

O capitão tossiu atrás de nós. «Isso parece-me uma bela maneira de evitar compromissos com nada.»

Ela sorriu-lhe, sem sombra de irritação. «Talvez. Ou talvez seja uma forma de nos libertarmos da compulsão de agarrar tudo.»

O vento aumentou ao nos aproximarmos de Baddeck, e o Nómada inclinou-se com leveza. A água, de um azul profundo, espelhava o céu aberto, agora livre da névoa da véspera. No convés, os instrumentos mostravam uma pressão estável e os sensores marcavam uma brisa constante de oeste. Era um bom dia para navegar.

Mais tarde, já a meio do dia, aquartelámos ao vento numa zona segura e sentámo-nos todos à mesa para partilhar um pouco de pão de centeio com compota de arando, enquanto a monja nos falava sobre shamatha-vipashyana, a prática de meditação que cultiva a atenção plena.

«A maioria das pessoas pensa que meditar é acalmar a mente. Porém, a mente não quer ser acalmada. Ela quer saltar, lembrar-se de contas por pagar, pensar no jantar, imaginar desastres. E isso é normal. A prática não é forçar a quietude. É observar esse movimento sem nos perdermos nele. Sentar, respirar e — quando notamos que nos perdemos — regressar. Uma e outra vez.»

O capitão revirou os olhos. «Isso é como tentar apanhar o vento com as mãos.»

«É exatamente isso,» respondeu Ani. «Até percebermos que o vento não precisa de ser apanhado, só observado.»

«Está bem, mas onde é que isso nos leva?», insistiu o capitão. «Não temos tempo para nos sentarmos em silêncio enquanto o mundo se desmorona.»

Ela pousou a taça, o olhar firme, mas gentil. «Curiosamente, é quando o mundo parece desmoronar que mais precisamos dessa prática. Há um estudo conduzido por Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, em colaboração com Matthieu Ricard, um monge tibetano, que mostra alterações reais no cérebro de praticantes experientes. Atividades aumentadas no córtex pré-frontal esquerdo, associadas à empatia e ao bem-estar. Até as ondas gama, associadas à cognição e à consciência, são mais intensas.»

O capitão ficou em silêncio. Sabia que ele respeitava a ciência, ainda que o fizesse com a mesma parcimónia com que tratava os instrumentos do barco — sem sentimentalismo.

«E para os comuns mortais?», perguntou ele. «Também nos muda o cérebro?»

«Não precisamos de dez mil horas de prática para sentir efeitos. Alguns minutos por dia, com constância, já alteram o padrão das nossas respostas. Diminuem a reatividade. Criam espaço entre o estímulo e a resposta.»

«Hum», assentiu o capitão, num breve grunhido. «Talvez experimente fazer mais uma dessas sessões. Pode ser que melhore as minhas competências de navegação», murmurou, piscando-me o olho.

Acenei, sem comentar. Havia, na sua voz, um recuo tímido — como quem encosta a porta, mas deixa o trinco destrancado.

Durante a tarde, fizemos turnos à roda do leme. Os canais afunilavam-se à medida que passávamos a ilha Boularderie, com recortes de costa verdejante e pequenos pontões com alguns botes de pesca. Um par de águias pescadoras passou por nós várias vezes, sobrevoando a linha de água, como dois pequenos guardiões a inspecionarem o nosso percurso.

Ani recolheu-se a meio da tarde, deixando-nos com o som do vento e dos pensamentos. O capitão mexia no painel de instrumentos, como se estivesse a tentar escutar algo. Quando me aproximei, murmurou:

«Há qualquer coisa estranha com as leituras do vento. A ver se damos uma vista de olhos no anemómetro antes de seguirmos para a Terra Nova.»

Entrámos no golfo de St. Lawrence, a parte que corresponde ao estreito de Cabot, e seguimos junto à costa até Sidney Harbour, uma baía que fornece uma proteção natural contra as investidas do mar. Passámos um extenso cemitério, as campas esparsas na relva verde, e uma povoação de casas térreas. Rondamos para sul e entrámos no canal de acesso a Sydney, ao final da tarde.

«Cá estamos, como combinado.», disse o capitão à nossa convidada. E tão misteriosamente como tinha aparecido, ela subiu a rampa da marina do Royal Cape Breton Yacht Club e sumiu-se no interior da cidade.

Eu e o capitão passámos à tarefa de pôr o Nómada em ordem, arrumar as velas e os apetrechos e lavar o convés. Quando finalizámos as tarefas, o meu apetite tinha crescido exponencialmente.

«Onde é que vamos jantar?», perguntei, esfregando as mãos de contentamento.

O capitão apontou um edifício em terra, com um terraço e luzes convidativas. Semicerrei os olhos para apurar a visão.

«Governors Pub & Eatery», li na fachada.

«Ouvi dizer que tem comida requintada e música ao vivo. Talvez tenhamos sorte.»

Deixámos a marina, atravessámos a estrada e sentámo-nos confortavelmente para um delicioso serão.

«Vamos acostar por um ou dois dias.», comunicou-me o capitão, enquanto esperávamos pelas bebidas. «Quero confirmar as condições do Nómada e a cidade aqui tem os recursos para fazer reparações, caso seja necessário. Além disso, quero trocar algumas impressões com navegantes locais para conhecer melhor o que nos espera nestas águas.»

O som de música ao vivo chegou-nos do interior. O capitão sorriu-me.

«Hoje celebramos, amanhã trabalhamos e no dia seguinte fazemo-nos ao mar.», disse, os olhos no horizonte.

E eu soube que, com o mar, regressariam também os balanços mais fortes, na passagem da Nova Escócia para a Terra Nova. O vale é que amanhã posso acordar tarde.

 

Uma barra de família

Os Barra MacNeils são um grupo de música celta originário de Sydney Mines, na Nova Escócia. Com mais de três décadas de carreira, são reconhecidos pela sua sonoridade autêntica, que combina sons vocais harmoniosos, instrumentação tradicional e uma forte influência da cultura de Cape Breton.

Celtas no Novo Mundo

A música celta na Nova Escócia tem raízes profundas na cultura escocesa e irlandesa, trazida pelos colonos que se estabeleceram na região.

Ao ritmo de Beaton

Andrea Beaton é uma talentosa violinista da Nova Escócia, conhecida pelas suas vibrantes interpretações da música celta tradicional. Vinda de uma família de músicos renomados, ela carrega a tradição do fiddle de Cape Breton.

Não te choques com a imagem que te enviei, nem te ponhas com a ideia de que vais receber uma nova foto ao nível mamário. É só para veres a minha tatuagem tingida esta madrugada por um artista tão janado que se perderia a seguir os trilhos de um comboio ou tropeçaria no primeiro dormente. Deixa-me rastrear o passado àquele momento em que as nuvens prenunciadoras da ressaca começaram a agoirar o primeiro trago de álcool. Sinto-me emaranhada num início in media res, com a suspeita de estar já no princípio de algo ou ainda no fim de outra coisa qualquer.

 Era o mais normal de um final de tarde e eu estava sentada numa das mesitas da ”Adega dos Frades”, de rabo firme num daqueles indecorosos pequenos bancos de madeira, a lamentar ao Silva o quanto perdida me sentia, sem rumo, mais encalhada do que à deriva.

«Se vais estar a usar metáforas náuticas, tens de saber que podes estar encalhada por causa da maré. Muda a maré e desencalhas, filha.»

«Não é assim tão fácil. E se calhar nem com a mudança da maré desencalho».

«Pois, são os escolhos. Ou as opções que fazemos. Ainda estamos a falar metaforicamente, não estamos?»

«Não sei. Sinto um vazio de sentido, é tudo. E quando olho ao espelho, não me reconheço. Nada daquilo que faço me parece real, é como se tivesse perdido o contacto com a minha identidade.»

«Ah, rapariga, deves andar a ler muita palha de autoajuda. Não tarda muito, estás ali na loja do Deepak a ouvi-lo papaguear que cada um de nós está neste mundo para descobrir o seu verdadeiro eu, o seu verdadeiro talento e a maneira única e pessoal de o expressar.»

Fitou-me a medir a minha expressão, o olho são com a húmida tranquilidade da velhice, o olho cego azulado virado para dentro em permanente introspeção, e sorriu. «Estás com ar de quem não comeu nada o dia todo. Vamos tratar primeiro desse vazio no estômago.» Era um sinal de que a conversa ia ser longa.

Fez uma série de gestos para alguém ao balcão nas minhas costas, encostou a bengala na parede para fazer espaço na pequena mesa e continuou. «No meu tempo, os livros de autoajuda tinham o objetivo de nos transformarem em algo diferente de nós próprios, como “ser mais sociável” ou “pensar positivamente”. Agora, estes gurus fazem dinheiro a dizerem-nos que precisamos de descobrir algo dentro de nós próprios, uma espécie de parte quase completamente esquecida, e que quando a redescobrirmos iremos sentir-nos autênticos.»

Olhou à volta e apontou com o rosto para eu fazer o mesmo.

«Esta malta pode estar aqui todos os dias à procura da sua dose para aliviar a solidão, mas se quisessem saía-lhes mais barato comprar a bebida no supermercado. Aquilo que vês é o resquício de uma identidade social ligada a algo maior do que nós próprios, aquilo a que os sociólogos chamam de uma extensão do Eu, uma experiência do ser com um forte sentido de pertença. Um psicólogo chamado Fritz Perls observou que o isolamento criado pela sociedade moderna faz-nos sentir mortos, somos apenas objetos. Como dizia o poeta, vivemos num desespero silencioso porque não temos ninguém com quem comunicar. E esses projetos de descoberta do nosso autêntico Eu acentuam o isolamento porque, como disse um outro escritor, aquilo de que o ser humano precisa é de se conectar.»

«Aqui estão as bifanas e os traçadinhos, Silva. Bem me parecia que eras tu, estava a reconhecer-te pelas costas… Estás boa?»

Sorri timidamente. Desde a nossa infância que o Manel dos Frades insistia em “conquistar” a minha atenção. Pelo menos, conseguia conquistar o meu estômago, as bifanas da “Adega dos Frades” eram as melhores da cidade.

«Ah, isto é que é felicidade, ahn?», exalou o Silva com uma dentada. «Tenho de morder com cuidado, a ver se não salta a placa…»

Mastigámos em silêncio alguns segundos.

«Sabes», continuou, «a felicidade é vista como um sentimento de bem-estar, qualquer que seja a causa, e a nossa sociedade promove a ideia de que possuímos a liberdade para realizar essa felicidade. Infelizmente, mais de metade da população mundial não tem liberdade económica e outros nem a liberdade social ou política, como lhe quiseres chamar. O problema é que, tendo sido as pessoas “magicamente” transformadas em consumidores, a satisfação temporária desse sentimento de bem-estar resulta num ciclo de desejos e satisfações impossível de satisfazer continuamente, permeado por uma sensação de vazio e um desespero silencioso.»

«Essa visão é demasiado simplista, Silva. Há outras coisas que fazemos na vida.»

Terminámos as bifanas e as bebidas.

«Talvez. Anda, vem dar uma volta comigo.»

Deixou o dinheiro preso sob o prato vazio das bifanas, pegou na bengala e saiu curvado no passo lento que eu conhecia desde sempre. Seguimos pela Major Afonso Pala até ao Terreiro de Santo António.

«O mundo está demasiado grande e ainda não tivemos tempo para nos adaptarmos a viver nesta dimensão. Estamos desconetados da natureza e da comunidade. Todos os estímulos são virtuais e promovem uma interação à distância.»

Apontou para a Capela de Santo António e parou a olhar para a fachada do edifício, com uma concentração no olhar como se estive à procura de algo na memória. «Havia um armazém de batatas, feijões, castanhas, mesmo em frente da capela. Pão e circo. Batatas e religião.» Virou costas à capela e seguimos

«A religião falhou, tornou-se num negócio de terapia transcendental. São centros de ajuda espiritual, fabriquetas para extorquir dinheiro aos que caíram na desgraça. Graças a Deus, ainda há muita imunidade a esta doença do além».

Cortámos para a Antão Girão e seguimos até à Praça de Bocage.

«Os românticos», retomou, a apontar para a estátua do poeta «tentaram recuperar o sentido de unidade que tinha sido desfeito com o início do Iluminismo. Como se a sociedade tivesse corrompido o bom selvagem com a reflexão racional e o método científico, não restando outro caminho senão o da reconexão com as emoções para nos elevar a um estado transcendental. Não estavam muito longe do alvo, esses hippies, ao pensarem que cada um de nós tem a habilidade de se recriar como objeto de arte, mas continuaram a insistir num individualismo egotista.»

O nosso rumo peripatético prosseguiu até à “Estátua das Musas”, um grupo de mulheres dispostas em círculo num duche público a exibirem a sua nudez. Fiquei curiosa à espera da explicação do Silva.

«Já no século passado, os precursores da moderna psicologia referiam a existência de diferentes Eus. Não nos mostramos do mesmo modo aos nossos filhos, aos nossos colegas e aos nossos amigos. Contudo, há alguns pensadores que foram mais longe e não só sustentaram que somos o produto de uma construção cultural, como pulverizaram completamente a nossa identidade em fragmentos, construídos ou destruídos pela nossa sociedade. Há um rapper francês chamado Fuck-O, obcecado com manicómios, que nas suas letras fala do discurso de poder produzido pela sociedade para nos dominar e oprimir e nos moldar aos interesses do próprio funcionamento social.»

Seguimos para o lado nascente da avenida, até nos sentarmos num banco defronte do Fórum Luísa Todi.

«A analogia do Eu como uma narrativa é, na minha opinião, a mais satisfatória das diferentes definições. Por um lado, é através de narrativas que construímos sentidos e desde os tempos das fogueiras que a explicação do mundo se faz através de histórias. Não estou a defender um regresso ao período pré-filosófico das mitologias; pelo contrário, temos de evitar, a todo o custo, voltar a essa caverna de dogmas e preconceitos que teimam em regressar através do discurso de inúmeros evangelistas. Estou a referir-me à dimensão pessoal da narrativa individual que cada um faz da sua vida, em que somos simultaneamente narradores e matéria narrada, dando à nossa existência coesão e coerência. Nós somos criaturas no espaço e no tempo e o presente é vivenciado não como o verdadeiro tempo, mas como o contexto da ação onde se interseccionam o passado e o futuro. E essa ação, minha filha, quando olhas para o palco da vida, como o desse teatro aí em frente, vês que essa ação tem lugar num cenário cultural e que se entrecruza com as narrativas de outros atores. O nosso Eu não está escondido dentro de nós à espera de ser resgatado, está na história que contamos do nosso passado e naquilo que tentamos fazer com o nosso futuro.»

Suspirou cansado, segurou a bengala entre as mãos, contemplou o céu e depois os meus olhos.

«Não procures fazer sentido de tudo isto, porque mesmo no momento da nossa morte, prematura ou esperada, nada garantirá que as nossas vidas façam sentido. Nós somos atores, espíritos que se dissipam em ar imaterial, dizia o bardo. E como a insubstancialidade deste banco, daquelas árvores, do próprio céu que nos cobre, tudo se dissolverá sem deixar rasto. Somos da mesma matéria dos sonhos e as nossas vidas desvelam-se num sono».

As mãos do Silva pousaram sobre as minhas, o frio dos ossos a perpassar pela sua fina pele. Soltou umas leves gargalhadas que lhe chocalharam o frágil corpo e olhou-me fixamente, um olho húmido de compaixão, trocista o outro azul de cegueira.

«Já chega de conversas de velho. Vai à tua vida. Narra a tua história.»

Levantei-me e logo uma voz clamou a atenção do Silva.

«Idalécio!»

Deixei-o com os seus amigos e acelerei o passo. Aquilo que estava a precisar era de uma bebida forte. Não calculava que a satisfação do meu desejo estava a meia dúzia de passos. E tudo por causa de um casal de reformados francês. Já te conto, tenho de comer alguma coisa e beber muita água.

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